FundaÁ„o Prů-Memůria de S„o Carlos

A Reforma de 1908

Entrando no novo s√©culo, a Companhia Paulista empreendeu a reforma ou reconstru√ß√£o de diversas esta√ß√Ķes ferrovi√°rias sob sua administra√ß√£o.

Em S√£o Carlos, o edif√≠cio original, que comp√Ķe o corpo do atual pr√©dio, possu√≠a fachada de alvenaria em tijolo aparente, t√≠pico da arquitetura inglesa. Era formado por um corpo central retangular, de dois pavimentos, coroado por um front√£o triangular com √≥culo, e por duas alas laterais de um pavimento. Suas janelas eram do tipo venezianas, com folhas de abrir e portas tipo balc√£o de madeira. O piso superior do corpo central possu√≠a 10 janelas, com traves em arco e frisos encurvados. O piso t√©rreo possu√≠a 10 aberturas, com traves retas, entre elas os portais de acesso √† esta√ß√£o. A ala √† esquerda do corpo central possu√≠a tr√™s aberturas e a ala √† direita seis aberturas, incluindo duas portas, todas elas com traves horizontais superiores retas e coroamento ornamental. Ao final do edif√≠cio, dos dois lados, existiram coberturas livres com rendilhado de inspira√ß√£o neog√≥tica. Toda a extens√£o da fachada era marcada por frisos e colunas em ressalto, que conferiam ritmo regular √† sua composi√ß√£o.
Em 1908, a primeira reforma empreendida na esta√ß√£o ferrovi√°ria de S√£o Carlos modificou sua fachada e ampliou seu corpo principal, conferindo linhas classicizantes, com caracter√≠sticas da arquitetura ecl√©tica. A alvenaria de tijolo aparente foi revestida com reboco. As colunas em ressalto e as marca√ß√Ķes das portas e janelas se mantiveram, entretanto, aplicaram-se frisos e ornamenta√ß√£o composta por elementos ecl√©ticos em toda sua extens√£o. O frontal triangular presente no corpo central do edif√≠cio foi eliminado, dando lugar a um frontal onde foi instalado, em 1912, o rel√≥gio. As traves retas dos dois portais de entrada foram alteradas para arcos e receberam uma cobertura de vidro e estrutura em ferro fundido. A cobertura livre da extremidade da ala esquerda do edif√≠cio foi retirada e no local constru√≠do o anexo dos banheiros, em estilo ecl√©tico com influ√™ncia mourisca. Na ala √† direita, a cobertura tamb√©m foi retirada e o edif√≠cio ampliado em seu andar t√©rreo at√© o quarteir√£o ali existente, fazendo um ‚ÄúL‚ÄĚ com uma antiga F√°brica Ciarrochi (f√°brica de marretas). Novas portas e janelas foram inclu√≠das de acordo com os novos usos (dep√≥sito, despacho/recebimento de mercadorias, cl√≠nica m√©dica).

A partir de 1914, a Companhia Paulista iniciou um processo de remodela√ß√£o das linhas e amplia√ß√£o da bitola a partir de Rio Claro. Nessa ocasi√£o, o trecho at√© S√£o Carlos foi refeito de acordo com o tra√ßado planejado originalmente pela Paulista no final dos anos 1870, recusado pelo governo provincial sob press√£o dos fazendeiros da regi√£o. Essa altera√ß√£o de tra√ßado representou uma redu√ß√£o de 30 quil√īmetros no percurso.
A entrega da duplica√ß√£o da bitola da estrada de S√£o Carlos aconteceu em 1916. Na ocasi√£o tamb√©m foi inaugurado o novo largo da esta√ß√£o. O primeiro nome da pra√ßa localizada em frente √† esta√ß√£o ferrovi√°ria de S√£o Carlos foi ‚ÄúVisconde de Rio Claro‚ÄĚ, em homenagem a Jos√© Estanislau de Oliveira, sogro do Conde do Pinhal morto no ano da inaugura√ß√£o do pr√©dio, em 1884. A partir de 1916, a pra√ßa passou a chamar-se Conselheiro Ant√īnio da Silva Prado, em homenagem ao ent√£o presidente da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Ant√īnio Prado esteve presente √† inaugura√ß√£o da bitola larga e recebeu pessoalmente a homenagem por parte da cidade.
Outra grande obra da paulista que impactou a cidade foi a eletrifica√ß√£o das linhas, iniciada em 1920. A Companhia Paulista foi a primeira empresa do Brasil a eletrificar suas linhas, tendo sido tamb√©m um dos maiores empreendimentos do g√™nero no mundo. Segundo a propaganda da √©poca, a eletrifica√ß√£o da linha possibilitaria um deslocamento maior e mais r√°pido dos comboios, uma vez que permitiria a composi√ß√£o de m√°quinas maiores, e demandaria custos menores de manuten√ß√£o frente a tra√ß√£o a vapor. Em S√£o Carlos, a inaugura√ß√£o da eletrifica√ß√£o aconteceu em 1928, tendo sido instalada a subesta√ß√£o na √°rea da vila ferrovi√°ria existente a pouca dist√Ęncia da esta√ß√£o.
Os investimentos nas ferrovias se prolongaram principalmente at√© os anos 1930. Em S√£o Carlos houve a amplia√ß√£o do piso superior das alas √† esquerda e √† direita do corpo central, mantendo as caracter√≠sticas ecl√©ticas do edif√≠cio. Ocorreu ainda a altera√ß√£o das aberturas do piso t√©rreo √† direita, com a instala√ß√£o de novas portas e cobertura met√°lica sobre elas. As esquadrias de madeira das janelas foram substitu√≠das por esquadrias met√°licas (vitr√īs).

Contudo, com a derrocada da economia cafeeira, já anunciada pelas crises climáticas e financeiras das décadas anteriores, e a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, a história da ferrovia iniciou uma fase de estagnação e paulatina desvalorização.
Considerando que as ferrovias construídas no Estado de São Paulo estavam a serviço da economia cafeeira, a derrocada do café em 1929 acarretou perdas significativas para as companhias.

 

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